Lesma

Desperto-me vestida em pérolas
e escuto o cantar frio
dos dias de inverno.

Olho minha pele
a luz mudou
Nesse lugar
tudo busca percorrer
o celeste
E o ademais
säo cheiros doces.

Agora faço o caminho de volta
só.
Buscando-te
e ansiando o próximo rever
(que será novo
já sei)
Buscando-te
e ansiando-te.

Buen día Clandestina

Esta noche el riso negro va cambiar.
Yo pensó en demasiadas
Cosas que
paréceme imposible
tragar.

Los cigarrillos
Los vinos encarnados
de sudor
y asco.

Yo procuro
y procuro
pero, ¿qué encuentro?

La mala suerte bendita
por estas manos mendigas.

Ya es hora
de acordarme
y robar el sosegó
de los justos y sanos.

O Caos me ama

me dê algo de verdade
já estou cansada
de toda bajulação
Não me venha com finezas.
Todo requinte léxico
e um lirismo enfadonho.
É tudo falso!

Me ponho em vísceras
e por tudo
tenho o peito doído

Esse sangue corre
não estanca em memórias
perdidas de noites mal-dormidas.

Se eu tinha medo de amar
Tua presença fez esse medo triplicar
Afinal
nada exposto
nada pronto
nada referencial
Teu caos griz me aniquila
Não me faz dançar.

Em casa

sopra novamente
e o que provoca vertigens é sentir-se só

o topo
A altura plena
e vácua.

Solidão.
Em que mão segurar?
A que olhos fitar?

O horizonte é imenso...
e é todo seu.
E todo corpo
é pequena parte.
Mas é todo seu.
E já não se está mais só.

Alice 1032

Tenho um senso de lealdade
sem ser patriota.

Falta-me endereço
registros civicos de identidade.
Mas é bem certo,
nesse plano
o que não me falta é lar.

É confortável em teus braços
Terra
Fogo
Ar.

E líquida é toda mudança.
E líquida fico
quando
sou sentimento.

Cantiga de Ninar

Tinha os dentes
Eles se foram.
Me restam as bocas
banguelas
que amaciam palavras.

Leão:
tuas infinitas bocas
(que pouco conheço o que devoram)
conversam
e me babam
e me amaciam.

Tinha os dentes
os guardo a fio.
Sangrentas são as finezas
extraordinárias
e diárias.

Ficou tua boca banguela
e me mastigas agora
com tuas garras.

O avesso de Dentro

eu me revolto
sem voltar à mim
(ou a ti)
as palavras de angústia
e espera
por coisas diferentes e melhores.

Olho os ombros.
Eles me falam se alguns corpos
sentem, simplesmente, o peso do mundo
ou se, forçosamente, tentam lhe carregar.
Outros ombros estão eretos
por pura leveza
seja qual ela for.

Não rumino paixões adormecidas.
Abro os olhos e sinto o infinito
de possibilidades
ao meu alcance.
O que faço primeiro?

Arrumo dentro, arrumo
o quarto e a sala.
Lavo as decências lamosas.
Costuro os retratos
da minha falta de paz.

Eu e minha casa
abertas para o vento
brincar dentro de nós.
Abertas para a invenção
de novos dias,
mais coloridos e melhores.

Não queira bater,
pedir licença
Estamos abertas e sem espera.